Em algumas oportunidades da vida conseguimos sair de nossas rotinas, seja trabalho, estudo, ou até o “fazer nada” doméstico para respirar outros ares, coisa típica chamada de viagem. Oportunamente ao estar acomodado em um local sito a onze andares do chão é possível ver o “movimento” de uma maneira diferente do habitual, ou seja, a da vista ao nível do solo. Neste momento, após as vinte e uma da noite, todos aqueles reféns de seus afazeres buscam algo para fazer com as horas restantes do dia ou quem sabe, enquanto “começa” à noite, alguns nem se importam com o fato de ainda estarem uniformizados ou engravatados. Misturam-se a estas pessoas outras pessoas da vida boêmia, neste episódio, se confundem cores, odores e gêneros, facilmente confunde-se “ele” se passando por “ela” e vice-versa. Não existem dedos denunciadores, pois existe um espaço para cada um e na congruência destes, um local para todos e todas. Impedido pela altura do décimo primeiro andar, resta apenas imaginar a mistura de odores peculiares às personagens deste “ponto de fuga” a partir dos perfumes baratos das senhoritas produzidas, passando pelo suor de quem trabalhou o dia todo e só quer um momento de descontração juntando com o cheiro típico das frituras de boteco. O som só seria perfeitamente discernível se não existissem outros tantos ambientes similares nas imediações e cada um não insistisse em um ritmo ou tema musical diferente. Enfim, à distância pode parecer confuso, mas certamente quem está lá se prepara como pode para o novo dia que há de vir.

André Rocha
Verão 2013

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