André Rocha em 08/12/10

A poesia é minha amiga, embora seja uma amiga muito ingrata, é muito importante em minha vida. Digo ingrata pelo simples motivo de eu dar atenção para ela, mas quando dela preciso, esvai-se como areia dentre meus dedos, não restando sequer alguns versos brancos ou pelo menos algumas rimas pobres, muitas vezes sem sentido… Mas… sentido para quem? O poeta muitas vezes não se faz entendido ou se faz de desentendido, mas por que? A resposta é muito simples, o sentimento é pessoal e intransferível! No máximo se reproduz ou se imita o sentimento de outra pessoa, mas é impossível vive-lo da mesma forma e muito menos na mesma intensidade. Há quem exagera, e como já disse Fernando Pessoa: “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente. / Que chega a fingir que é dor. / A dor que deveras sente”.
O principal recurso aliado do poeta (além da rima) é a liberdade, a liberdade poética. Seria como poder abrir uma brecha dentro do nosso idioma, para semear algo que só brota com poesia. Pode ser uma palavra nunca vista, pode ser uma não escrita corretamente, mas uma coisa sempre é certa, quem ama poesia, disto não se importa, mesmo se a estrada seja a certa ou mesmo sendo ela torta.
Posso dizer dos meus escritos o seguinte. Eles são partes de mim e eu deles, haverá quem os chame de lixo, mas para estes direi: ao menos os peguem para reciclagem…
André Rocha (algum dia de 2005)

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O que eu antes não pensava, agora resolvi pensar, a propósito, pensar e escrever. Neste quieto de tão nublado dia, a falta do imponente Sol, deixa minha casa fria, e se, não fosse o calor da família, poderia acabar achando triste tudo a minha volta. Hoje, por vezes penso no tanto sonolento que estou, pois para compensar minha ausência em determinado momento, careço chegar mais cedo. Sempre dizem que o trabalho enobrece o homem, mas eu diria que o excesso de trabalho cansa, e às vezes tanto que desmotiva a realização de mais trabalho. Pareceu repetitivo? É de propósito, para mostrar que trabalho demais não é legal. Durante as primeiras horas de mais este dia aguardei a chegada de informações da qual dependem os meus afazeres de praxe que por sua vez farão outras pessoas dependerem de mim, é um ciclo vicioso e perigoso, pois se nada acontece “lá em cima”, tão inerte ficam as coisas aqui em baixo. O mais curioso neste momento é presenciar problemas de adolescentes em conflitos com professores e relembrar que eu os tive há algum tempo atrás, refleti a respeito: será que eles terão meus problemas no futuro? Enfrentando dias nublados, noites de pouco sono e dependerão do trabalho de outros para trabalhar? Bom, melhor voltar ao meu próprio trabalho.

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André Rocha em 26/10/10

Vale a pena tentar,
Tudo pode dar certo na mesma proporção
Que os pessimistas não querem
Vela a pena tentar,
Tudo valerá a pena…
…mesmo que os céticos não acreditem
Vale a pena tentar,
Mesmo que a cegueira
Concorra para que não se veja o óbvio.
Vale a pena tentar,
Quem sabe das noventa e nove tentativas
Esta seja a derradeira e certa opção?
Vale a pena tentar,
Mesmo que a noite pareça curta
E o dia interminável…
Tentar sempre, questão de persistência…
Buscar a perfeição mesmo sem existir…
Cantar mesmo quando todos estão surdos…
Sorrir mesmo existindo expressões de raiva…
Ser o último, mas tendo a fé do primeiro…
Ser o primeiro, mas tendo a humildade do último…
Ver esperança, onde já desistiram…
Nunca desistir, nunca desistir, nunca desistir…
Hoje é o dia de acreditar,
Acreditar que é sempre possível,
Fazer diferente… se foi errado,
Ou, fazer diferente para ser melhor,
Hoje é o dia de tentar,
Ser alegre para alegrar,
E escrever versos brancos para dedicar…

André Rocha

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André Rocha em 26/10/10

A poesia transcende o imaginário.
Qualquer um pode escrever uma poesia.
Não é relevante qualquer comentário,
Mesmo não trazendo ao leitor a alegria.

Talvez não levando ao seu viver diário,
O que de melhor que possa fazer o dia.
Assim, o informático escreverá em binário,
O sociólogo se lembrará da “Mais valia”,

O alegre irá praticar o seu anedotário,
O nervoso escreverá, mesmo à revelia,
O historiador lembrará dos 18 de Brumário,
O familiar lembrará da sua estimada tia,

O esportista do milésimo gol do Romário,
O regional questionará se é Rio ou Bahia,
O economista, se sobrou mês ou salário,
O matemático e a inaplicável e analítica Geometria,

O político argumentará seu aumento de salário,
O sambista mais uma letra para sua alegoria,
O religioso pregará a sua versão do calvário,
O médico verá se é depressão ou apatia,

O mais descolado citará o mané e o otário,
A mãe de santo lembrará da melhor simpatia,
O químico lembrará da pipeta e do refratário,
O astrônomo anunciará a beleza da Láctea Via,

O astrólogo uma conjunção no sistema planetário,
O músico sobre uma nova nota em sua sinfonia,
O patrão arranjará uma justa causa ao funcionário,
A lavadeira sobre a roupa suja em sua bacia,

O honesto e seu viver Panis Et circenses solitário,
O educador dirá que melhor era CBA e não BIA,
Tudo se encaixará ao se usar todo abecedário,
Algo que encerrando neste ponto não terminaria…

André Rocha
2008

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André Rocha em 16/10/10

Para cada mentira constante
Uma verdade inconsequente.
A cada padecer num instante
De mais uma vítima inocente.

Se vota ou é eleito ignorante
Que sentido faz para a gente?
Não se dará um passo adiante
Sem que a hipocrisia enfrente.

Que estas palavras, doravante
Possam assim seguir em frente.
Rompendo o mal dominante
Que ainda se faz tão presente.

Assim, evitará o mal gigante
E impedirá que o inútil aumente.
Deixando o de fato alarmante
Para o seu melhor combatente.

André Rocha
Primavera 2010

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